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Polícia fecha Kidflix, uma Netflix de exploração sexual infantil


Autoridades policiais multinacionais derrubaram a plataforma Kidflix no dia 11 de março, de acordo com relatório divulgado pela Bayerisches Landeskriminalamt (Polícia Criminal do Estado da Baviera, na Alemanha). A Kidflix existia na dark web como uma Netflix voltada aos crimes que envolvem materiais de abuso sexual infantil (CSAM).

O relatório aponta que 1.275 usuários do serviço foram identificados em 35 países durante a ação batizada de Operação Stream, que teve início em 2022 e já prendeu cerca de 80 predadores sexuais — além da apreensão de três mil dispositivos eletrônicos e da proteção direta de 39 crianças em situação de abuso.

O trabalho conjunto envolveu, além da polícia alemã, o ZCB (Gabinete Central para o Cibercrime da Baviera), a Europol (Agência da União Europeia para a Cooperação Policial), a portuguesa UNC3T (Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Técnológica) e a britânica NCA (Agência Nacional do Crime).

A Europol afirma que identificou o login de 1,8 milhão de usuários na plataforma Kidflix entre abril de 2022 e março de 2025. “Em 11 de março de 2025, o servidor, que continha cerca de 72 mil vídeos na época, foi apreendido por autoridades alemãs e holandesas. Alguns dos presos não apenas carregaram e assistiram a vídeos, mas também abusaram de crianças”, registra a autoridade.

Vale notar que muitos dos identificados não são ‘novos’: eles já estavam registrados como predadores sexuais por envolvimento prévio em crimes do tipo.

Operação Stream

A Kidflix

A Kidflix era uma plataforma que deturpou o nome da famosa Netflix para chamar atenção de predadores. O servidor em questão armazenava cerca de 91 mil vídeos que contabilizavam mais de 6 mil horas de vídeos de abusos sexuais. Cerca de três vídeos novos subiam na plataforma a cada hora.

Foi criada em 2021 por um cibercriminoso “que obteve um lucro enorme com isso, tornando-se rapidamente uma das plataformas mais populares entre os pedófilos”, diz a Europol.

“Ao contrário de outras plataformas conhecidas desse tipo, a Kidflix não só permitia que os usuários baixassem CSAM, mas também transmitissem arquivos de vídeo. Os usuários faziam pagamentos usando criptomoedas, que eram posteriormente convertidas em tokens”, explica o relatório. “Ao fazer upload de CSAM, verificar títulos e descrições de vídeos e atribuir categorias aos vídeos, os infratores podiam ganhar tokens, que eram então usados ​​para visualizar o conteúdo. Cada vídeo era carregado em várias versões – baixa, média e alta qualidade – permitindo que os criminosos visualizassem o conteúdo e pagassem uma taxa para desbloquear versões de qualidade superior”.

O Brasil também atua com frequência no combate aos crimes sexuais infantis via Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar. Existem operações praticamente diárias. Atente-se aos canais de denúncia e compartilhe: Disque 100, Disque 180, Disque 190 para atuação imediata e Disque 197 para atuação investigativa da Polícia Civil.

Catherine De Bolle, diretora executiva da Europol, comenta que a “a dimensão digital impulsionou uma rápida evolução na exploração sexual infantil online, oferecendo aos infratores uma plataforma sem fronteiras para contatar e preparar vítimas, bem como para criar, armazenar e trocar material de abuso sexual infantil. Alguns tentam enquadrar isso como meramente uma questão técnica ou cibernética – mas não é. Há vítimas reais por trás desses crimes, e essas vítimas são crianças. Como sociedade, devemos agir para proteger nossas crianças”.

Especificamente, 38 autoridades participam da Operação Stream. As forças policiais são dos seguintes países: Albânia, Áustria, Bélgica, Bulgária, Canadá, Colômbia, Croácia, Chipre, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Geórgia, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, Romênia, Sérvia, Eslováquia, Espanha, Suécia, Suíca, Reino Unido e EUA.

Europol.jpg
Europol

TecMundo e Realidade Violada

O TecMundo lançou em dezembro o documentário Realidade Violada 3: Predadores Sexuais, que já está disponível gratuitamente no YouTube. O longa trata sobre o tema de abuso infantil na internet e mostra o modus operandi de criminosos que vendem, armazenam e produzem fotos e vídeos sexuais de menores de idade.

Com duração de cerca de 1h40, o documentário conta com vários depoimentos de vítimas, agentes de segurança e hackers que ajudam no combate a estes crimes.

De acordo com dados cedidos pela Polícia Federal (PF) com exclusividade ao TecMundo, o número de mandados de prisões expedidas contra os abusadores – nomenclatura que substitui o termo “pedófilo”, que não é usado pela polícia – aumentou quase 37% entre janeiro e outubro de 2024, na comparação com o mesmo período de 2023.

Abaixo, o trailer de Realidade Violada 3: Predadores Sexuais.

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Tecmundo

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